segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Mágico de Oz

“The Wonderful Wizard of Oz” foi, antes de se tornar um musical, um livro infantil escrito pelo americano L. Frank Baum (1856-1919). Tanto sucesso fez no ano de seu lançamento e nos seguintes que resultou em mais treze livros, esses escritos até 1909. Dedicado à senhora Baum, esposa do autor, hoje, e desde 1956, os livros são de domínio público.

Dorothy, a protagonista, é uma garota que vive uma fazenda em Kansas com seu tio Henry e sua tia Em. Seu único amigo é o cachorrinho Totó que, um dia, fugiu para fazenda da Senhora (Elmira) Gultch que, irritada, procura seus vizinhos a fim de exigir que o cachorro seja entregue à municipalidade uma vez que, segundo ela, a dona não sabe cuidar dele. O cachorro é levado, então, pela malvada vizinha, mas foge e volta para casa. Ao revê-lo, a triste Dorothy decide fugir de casa e, no caminho, encontra um mágico que lê a sua sorte. Na bola de cristal, o mágico vê a tristeza de seus tios que sofrem com a partida da sobrinha. Uma tempestade começa e a garota volta para casa arrependida de ter partido. Um furação se aproxima e todos se escondem. Dorothy entra em casa no momento em que ela é fisgada pelo tufão. Quando a casa volta ao chão, Dorothy descobre o prédio caiu sobre uma bruxa terrível, matando-a. O feito libertou o Reino dos Munchkins, homens baixinhos que viviam sob o domínio da Bruxa Má do Leste, graças à Dorothy, agora morta. A Bruxa Boa do Sul aparece e Dorothy é consagrada heroína da terra dos Munchkins, mas tudo o que ela quer é voltar para casa. A Bruxa Boa do Sul dá a Dorothy, então, os sapatos prateados da Bruxa Má do Leste e diz à garota que ela deve seguir a estrada de tijolos amarelos até a Cidade das Esmeraldas onde encontrará o Mágico de Oz que poderá ajudá-la.

No caminho, ela encontra um espantalho que não consegue espantar nenhum corvo. O espantalho, que pode falar para a surpresa de Dorothy, confessa que gostaria muito de ter um cérebro capaz de produzir bons pensamentos. Dorothy o liberta da estaca que o prendia e o convida para ir com ela até o Mágico de Oz.

Outro personagem aparece: um homem todo de lata. Ele era um lenhador que foi enfeitiçado por uma bruxa e, por isso, perdia partes do corpo em acidentes de trabalho. As partes foram sendo substituídas por lata por um amigo do lenhador. Um dia, ele enferrujou por inteiro. E, tudo o que ele queria, era um coração para si. Dorothy convida o Homem de Lata para ir com ela, Totó e o Espantalho até a Cidade das Esmeraldas e o convite é aceito.

Os quatro encontram, ainda, outro personagem. Um leão tenta assustá-los, mas Dorothy descobre que o mais assustado é ele que sofre com sua falta de coragem. Dorothy convida ele para ir também falar com o Mágico de Oz que irá ajudá-los. Todos seguem cheios de esperança à Cidada das Esmeraldas.

Lá encontram o Mágico de Oz que, a cada um, se apresenta de forma diferente. A Dorothy, o Mágico aparece como uma grande cabeça falante. Ao Espantalho, como uma linda mulher. Ao Homem de Lata, como uma fera. Ao Leão, como uma bola de fogo. O Mágico concorda em ajudá-los, mas com a condição de que eles exterminem a Bruxa Má do Oeste, que se apoderou do País dos Winkies. Antes, a Bruxa os havia feito dormir um campo de papoulas.

Tão logo o grupo entra no País dos Winkis, a Bruxa Má do Oeste manda lobos, abelhas e outros animais para destruí-los, além de seus soldados. O grupo consegue passar por todos os obstáculos. Num momento, porém, em que se encontram com a própria Bruxa, a vilã consegue pegar um de seus sapatos prateados. Com raiva, Dorothy joga sobre a rainha um pote com água e a bruxa derrete completamente. O povo do País dos Winkies está liberto da tirania. O Homem de Lata é consagrado o novo governante do local, uma vez que Dorothy, agora, poderá voltar para Kansas.

Ao chegar ao Castelo da Cidade das Esmeraldas, o Mágico tenta livrar-se do grupo. Totó, no entanto, consegue entrar por um esconderijo atrás do trono e revela ao grupo a verdade sobre o Mágico de Oz. Trata-se nada mais de um velho mágico de Omaha que caiu em Oz após uma jornada num balão de ar quente.

O mágico, então, providencia que o grupo consiga os seus intentos. Ao Espantalho é dado um diploma que prova sua inteligência. Ao Homem de Lata é dado um coração que pendura sobre o peito. Ao Leão é dado uma medalha de Honra ao Mérito que expressa sua coragem.

O Mágico, então, monta seu balão novamente para retornar a sua terra natal, planejando deixar Dorothy em Kansas. No dia da partida, toda Oz está reunida para despedir-se de sua grande heroína. Quando o balão é solto, Totó escapa e Dorothy vai salvá-lo. O balão parte sem Dorothy. Glinda, a Bruxa Boa do Sul, é chamada. Ela ensina à Dorothy que a solução está em seus pés. Basta que ela bata os sapatinhos prateados para estar em casa novamente. Ela se despede de seus amigos e bate os sapatinhos. Ao acordar, está em casa, deitada entre seus tios que velavam o seu sono.

O livro de Baum teve muitas atualizações desde que foi lançado. Aqui falaremos de duas. A primeira delas é a primeira versão para o teatro que aconteceu em 1902. A segunda é a versão de 1975, chamada de “The Wiz”.

“The Wizard of Oz” estreeou na Broadway em 1903 depois de sua primeira temporada em Chicago no ano anterior. Se apresentava como uma “extravaganza” (unia uma quantidade muito grande de compositores e letristas) e fez 293 apresentações até 1904. Era estrelada por Anna Laughlin no papel principal e por Fred Stone (Espantalho), David Montgomery (Homem de Lata) e Arthur Hill (Leão). L. Frank Baum escreveu o roteiro, Paul Tietjens os arranjos das músicas e W.W. Denslow (que havia feito as ilustrações do livro) foi o responsável pelos cenários e figurinos. Fred. R. Hamlin produziu e Julian Mitchell assinou a direção. Como era típico numa extravanganza, a história é um motivo para a inclusão de várias músicas, piadas, situações estreitamente ligadas à realidade da apresentação. Assim, o roteiro básico é igual ao do livro, embora termine com a partida de Oz de Dorothy sem mostrar a chegada dela em Kansas. O desenvolvimento, no entanto, envolve uma série de pequenas situações outras, com comentários sobre a política, um poeta que canta à heroína com uma canção sobre Michigan, seu estado norte-americano preferido, e outras cenas do tipo.

“The Wiz” é um musical com músicas e letras de Charlie Smalls e roteiro de William Brown. Geoffrey Holder assinou a direção e George Faison a coreografia. É a contextualização da história de Baum para a cultura afro-americana. Estreeou em 1975 e ganhou sete Tony (Melhor Cenário, Melhor Coreografia, Melhor Ator e Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Musical). Stephanie Mills fazia Dorothy na temporada de estréia. Hinton Battle (Espantalho), Tiger Haynes (Homem de Lata), Ted Ross (Leão), Dee Dee Bridgewater (Glinda) e André De Shields (O Mágico) também estavam no elenco. A narrativa se baseia no livro e no musical cinematográfico de 1939.

A versão cinematográfica de “The Wiz” foi lançada em 1978, produzida pela Universal Pictures. Foi dirigida por Sidney Lumet e estrelada por Diana Ross (Dorothy), Michael Jackson (Espantalho), Nipsey Russell (Homem de Lata), Ted Ross (Leão), Mabel King (Bruxa Má do Oeste), Theresa Merritt (Tia Em), Thelma Carpenter (Bruxa Boa do Norte), Lena Horne (Glinda) e Richard Pryor (O Mágico). Novas músicas foram compostas para a versão cinematográfica fazendo com que “The Wiz” se confirmasse como um dos maiores expoentes da blaxploitation, isto é, movimento artístico de conscientização negra contra a discriminação. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora e Melhor Filme.

O dia de Ação de Graças é comemorado num apartamento no Harlen onde uma professora de 24 anos (Dorothy) mora com seus tios. Uma ventania acontece depois do jantar e o cachorrinho de Dorothy some pela porta da cozinha. Um vento mágico, produzido pela Bruxa Boa do Norte (Glinda), surge e leva Dorothy e seu cão a Oz, um parque de diversões. No vôo, Dorothy esbarra no letreiro luminoso que cai em cima de Evermean, o dono do parque, e o mata. Os chinelos prateados de Evermean são dados à Dorothy que se encontra com os Munchkin antes de, como na história do livro, pegar o caminho para a Cidade das Esmeraldas. Encontra um Espantalho feito de lixo que quer um cérebro, um robô que quer um coração, e um leão que fugiu da floresta e se escondeu ao lado dos leões de pedra da biblioteca de Nova Iorque, com medo de voltar pra sua casa querendo ter coragem. O caminho pra Cidade das Esmeraldas é cheio de perigos: prostitutas, drogas e situações do tipo. O palácio do Mágico de Oz é o World Trade Center. Após matar a segunda bruxa, Dorothy e os outros retornam ao Palácio e descobrem que o Mágico é uma farsa. Na verdade, ele é Herman Smith, um político de Nova Jersey que perdeu as eleições. Tristes os amigos de Dorothy são consolados pela jovem professora que lhes diz que os três sempre tiveram o cérebro, o coração e a coragem que quiseram. Então, ela retorna sozinha para casa usando seus sapatos prateados. O filme foi um fracasso de bilheteria. Custou 24 milhões de dólares e não arrecadou 14 milhões. A crítica o considerou assustador para crianças e bobo para adultos.

A mais conhecida versão da história é a de 1939 estrelada por Judy Garland. Nas mais importantes listas, seu título está entre os dez melhores filmes da história do cinema mundial. Além de Garland, participam do filme: Frank Morgan (o Mágico), Ray Bolger (Espantalho), Jack Haley (Homem de Lata), Bert Lahr (Leão), Billie Burke (Glinda) e Margaret Hamilton (Sra. Gulch). Não foi o primeiro filme produzido em Technicolor, mas seu uso nas cenas em preto e branco com tons marrons fazem dele um clássico desse tipo de fotografia.

Os direitos autorais dos livros foram comprados pela MGM em 1938, ano em que começaram as filmagens, após um longo e cansativo processo de casting tanto de elenco como de técnicos. Vários foram os roteiristas que fizeram várias versões do filme. A direção também teve alterações. Richard Thorpe começou dirigindo, mas foi substituído por George Cukor (Born to be a star, My Fair Lady) que depois foi substituído por Victor Fleming (... E o vento levou), que assina a direção. King Vidor é quem terminou o filme dirigindo as cenas em Kansas, embora não tenha sido creditado.

Foi nesse filme que Glinda passou a ser a Bruxa Má do Norte e não mais do Sul. E nela também os sapatinhos se tornaram vermelhos e não prateados.

O filme ganhou quatro indicações (Melhor Efeitos Especiais, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Filme) e dois Oscar (Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção) em 1940. A música “Over the rainbow” foi composta por Harold Arlen e a letra é de E. Y. Harburg.

Somewhere over the rainbow
Way up high
There's a land that I heard of once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Skies are blue
And the dreams that you dare to dream really do come true

Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemon drops
A way above the chimney tops
That's where you'll find me

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
Birds fly over the rainbow
Why then oh why can't I?

If happy little blue birds fly beyond the rainbow
Why oh why can't I? 


Abaixo uma lista selecionada de versões cinematográficas e teatrais de “The Wizard of Oz”

Cinema: 
1910 - The Wonderful Wizard of Oz: dirigido por Otis Turner e protagonizado por Bebe Daniels.
1914 – Sua majestade, o espantalho de Oz: dirigido por L. Frank Baum.
1921 – O Mágico de Oz – dirigido por Ray Smallwood
1925 – Mágico de Oz – dirigido por Larry Semon e L. Frank Baum, protagonizado por Oliver Hardy.
1932 – A terra de Oz, a sequência de “O Mágico de Oz” – dirigido por Meglin Kiddies
1939 – O Mágico de Oz: dirigido por Victor Fleming, produzido pela MGM e protagonizado por Judy Garland.
1969 – A maravilhosa terra de Oz – dirigido por Barry Mahon
1971 - Ayşecik ve Sihirli Cüceler Rüyalar Ülkesinde:: filme turco dirigido por Tunc Basaran
1978 –The Wiz: dirigido por Sidney Lumet, protagonizado por Diana Ross (Michael Jackson no papel de Espantalho)
1985 – O retorno a Oz: dirigido por Walter Murch e protagonizado por Fairuza Balk
2006 – O Mágico de Oz dos Muppets: dirigido por Kirk Thatcher e protagonizado por Ashanti (Queen Latifah como a Tia Em)
2011 – O maravilhoso mágico de Oz: a ser dirigido por John Boorman

Teatro: 
1902 – O Mágico de Oz
1945 – O Mágico de Oz: dirigido por Frank Gabrielson com músicas do filme de 1939.
1975 – The Wiz: músicas e letras de Charlie Smalls.
1981 – The Marvelous Land of Oz: musical de Thomas W. Olson, Gary Briggle e Richard Dworsky.
1987 – O mágico de Oz: dirigido por John Kane e protagonizado por Imelda Staunton
2000 – O Maravilhoso Mágico de Oz: dirigido por Joe Cascone.
2003 – Wicked: musical de Gregory Maguire e Stephen Schwartz

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